sábado, 23 de maio de 2009

Curso de Instrumentos Musicais - Módulo Alfaia




Faltava divulgar as fotos do final do curso de instrumentos musicais realizado no mês de março de 2009. O curso confeccionou uma alfaia como demonstração. O professor, Scube, mostrou seu conhecimento aos participantes, além de ter interagido com o ambiente colhendo futas e trazendo sementes de cabaça para serem plantadas. Em setembro o ISVA vai oferecer mais um curso de instrumentos musicais.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

SOS: Salvador em estado de calamidade pública

Eduardo Nunes/ISVA
Na cidade de Salvador, como também, em todo o Nordeste brasileiro o pêndulo está voltado para a dimensão YIN. As chuvas vão provocando enchentes, deslizamentos, mortes, muita gente desabrigada e desespero. Os bairros de Valéria, Águas Claras, Palestina e muitos outros de Salvador estão sofrendo com a quantidade de chuvas e ventos. A cidade se veste de preto nas encostas, os plásticos estendidos tentam aplacar a fúria da natureza, sem muito sucesso.
O desmatamento das encostas e/ou a falta de contenção dos morros de Salvador provocam os desabamentos que tanto apavoram os moradores, fruto do descaso dos poderes públicos (municipal, estadual e federal) que nada fazem para resolver os problemas.
Em Valéria, alguns membros do coletivo do ISVA têm prestado apoio aos vizinhos que tiveram suas casas destruídas. A casa do filho de Carlos deslizou da encosta e se chocou com a do pai e um poste tombou sobre a casa. O risco é eminente. Se vier mais chuva e vento o poste pode cair arrastando o fio sobre as outras casas. O morador está desesperado, telefonou para a defesa civil e o problema real e urgente se transformou apenas em um número na burocracia, em mais um pedido. O próprio órgão ao ouvir que o poste estava na eminência de cair, mandou ele telefonar para a Coelba, empresa que vende a eletricidade, transferindo o problema.
Os empresários de Valéria, pois Valéria tem muitas empresas multinacionais, nacionais e estaduais, nada fazem, nem ao menos moram lá, mas se beneficiam do bairro. Se o Estado não utiliza os recursos do povo para salvar essas pessoas que estão sofrendo e os empresários acomodados em suas mansões seguras e confortáveis nada fazem. O que resta para os pobres de Salvador? dor e desespero. A ajuda dos vizinhos nesses momentos é a única alternativa.
Vamos ajudar moradores de Salvador e do Nordeste brasileiro a essa gente que vive em encostas, em casas inseguras, em vales que estão cheios de água, e as casas imersas em águas poluídas.
Solidariedade
Salvador, pede Socorro!

sábado, 16 de maio de 2009

Faleceu o historiador e escritor anarquista Edgar Rodrigues (1921-2009)


Autor de dezenas de livros sobre o anarquismo, iniciou suas atividades no movimento libertário ainda jovem em Portugal. Veio ao Brasil nos anos 1950, fugindo da ditadura de Salazar, participando do movimento libertário. Em uma entrevista feita pelo Dr. José Maria C. Ferreira, intelectual e ativista anarquista português para a revista libertária Utopia, lembra como foram esses primeiros anos:

“Eu cheguei ao Brasil em 50, e participei ainda em sete congressos anarquistas, a nível nacional, inclusive com a participação de estrangeiros. Nós tínhamos então uma propriedade que era a nossa chácara, em São Paulo, que agora passou para outro lugar e numa área maior, e ali se reuniam clandestinamente os companheiros do Brasil”. (Edgar Rodrigues, Revista Utopia).

No final dessa entrevista, deixa em aberto as novas perspectivas e observa a importância da ecologia para o pensamento anarquista contemporâneo:

“A ecologia entrou muito no meio do anarquismo, principalmente no Brasil, porque há uma certa preocupação com a preservação da Natureza, uma coisa que os anarquistas, no passado, não tiveram assim tanta preocupação, porque havia muita mata e pouca gente e hoje existe muita gente e a mata está a queimar-se. De forma que estou bastante preocupado com isso. Vamos ver se ainda surge, antes de eu morrer, alguém para tomar conta das coisas, porque de momento não vejo isso.” (Edgar Rodrigues, Revista Utopia).

Obras de Edgar Rodrigues


Na Inquisição de Salazar (1957)
A Fome em Portugal (1958)
O Retrato da Ditadura Portuguesa (1962)
Portugal Hoy (Venezuela) (1963)
Socialismo: Síntese das Origens e Doutrinas (1969)
Socialismo e Sindicalismo no Brasil ( Movimento Operário 1675/1913) (1969)
Nacionalismo e Cultura Social (1913-1922) (1972)
Violência, Autoridade e Humanismo (1974)
Conceito de Sociedade Global (1974)
ABC do Anarquismo (Lisboa-Portugal) (1976)
Breve História do Pensamento e da Lutas Sociais (Lisboa-Portugal) (1977)
Trabalho e Conflito (Greves Operárias 1900-1935) (1977)
Novos Rumos (1978)
Deus Vermelho (Porto-Portugual) (1978)
Alvorada Operária ( Os Congressos 1887-1920) (1980)
Socialismo: Uma Visão Alfabética (1980)
O Despertar Operário em Portugal (1834-1911) (Lisboa-Portugal) (1980)
Os Anarquistas e os Sindicatos em Portugal (1911-1922) (Lisboa-Portugal) (1981)
A Resistência Anarco-Sindicalista em Portugal (1922-1939) (1981)
A Oposição Libertária à Ditadura (1939-1974) (Lisboa-Portugal) (1982)
Os Anarquistas - Trabalhadores Italianos no Brasil (1984)
Os Trabalhadores Italianos no Brasil (Itália) (1985)
ABC do Sindicalismo Revolucionário (1987)
Os Libertários: Idéias e Experiências Anárquicas (1988)
Quem Tem Medo do Anarquismo? (1992)
O Anarquismo na Escola, no Teatro, na Poesia (1992)
A Nova Auroa Libertária(1946-1948) (1992)
Entre Ditaduras (1948-1962) (1993)
O Ressurgir do Anarquismo (1962-1980) (1993)
Os Libertários (1993)
O Homem em Busca da Terra Livre (1993)
O Anarquismo no Banco dos Réus (1969-1972) (1993)
Os Companheiros - 5 volumes-de A a Z (1994)
Diga Não à Violência! (1995)
Sem Fronteiras (1995)
Pequena História da Imprensa Social no Brasil (1997)
Os Companheiros (1998)
Notas e Comentários Histórico-Sociais (1998)
Pequeno Dicionário de idéias libertárias (1999)
Universo Ácrata - Volume 1 e Volume 2 (1999)
Rebeldias (quatro volumes, 2005 - 2007)
Um século de História político-social em Documentos (Vol.1 e 2 - 2006 e 2007).
Lembranças Incompletas (2007)
Mulheres e Anarquia (2007)
Colaborou ainda com diversos orgãos da imprensa anarquista como o jornal Fenikso Nigra (Campinas) e a Revista Letra Livre (Rio de Janeiro). Auxiliou, juntamente com o historiador Carlos Carvalho Cavalheiro, o escritor Jesús Giraldez Macía na pesquisa para o livro sobre o militante anarquista João Perdigão Gutierrez ("Entre el rubor de las auroras").
Colaborador com verbetes para Enciclopédias e livros - Biblioteca Sorocabana, volume I, História e Memórias da Crearte Editora, 2005 e Enciclopédia Sorocabana (verbetes sobre anarquistas). Também foi responsável pelo prefácio da edição fac-similar do Jornal "O Operário", de Sorocaba, publicada em março de 2007.

Dados Obtidos: Revista Utopia “http://www.utopia.pt/” e "http://pt.wikipedia.org/wiki/Edgar_Rodrigues"

INSTITUTO SOCIOAMBIENTAL DE VALÉRIA: uma experiência de inserção societária e resistência



el__brujo
O ISVA está localizado num bairro periférico de Salvador/Bahia, com todas as suas carências e necessidades próprias destas populações marginalizadas pelo sistema produtivo (capitalismo) com seus baixos salários e o subemprego, e pelo Estado com a força física da coerção policial.
Citamos para esclarecimento do desleixo que ocorre nessas áreas de exclusão social, a falta de intra-estrutura nas áreas de saúde, educação, lazer, transporte, saneamento básico etc. Estamos falando do bairro de Valéria, mas esta leitura pode, e deve, ser ampliada para os bairros circunvizinhos: Águas Claras, Boca da Mata, Palestina, Pirajá etc.
O ISVA é um Centro de Estudos em Ecopedagogia e Agroecologia Urbana, objetivando a educação integral (manual e intelectual) e o cooperativismo baseado na economia solidaria, assegurando, assim, a sustentabilidade de atividades ecoprodutivas. Em resumo o ISVA desenvolve a prática de Autogestão Social, onde o exemplo é a melhor forma de educação, pois nada se impõe ao outro.
Neste espaço societário se integram algumas atividade de elevação do caráter humano e da auto-formação de uma postura solidaria no convívio social, tais como:
a.- Cursos sobre permacultura, agricultura natural, artesanatos etc;
b.- Feira Comunitária (escambo) realizada pelos ‘vizinhos’ do sítio, com produtos naturais, artesanato, palhaços, objetos usados, poesias e guloseimas maravilhosas;
c.- Biblioteca Comunitária Prof. José Oiticica, com oficinas de leitura para os pequenos, estimulando-os na experiência lúdica de apreender;
d.- CineClub de Valéria/Isva, com projeções à cada quinze dias de temas polêmico que exercitam a reflexão política com a ajuda da sétima arte (cinema & debate);
e.- além, é claro, do Tanque, onde todos que buscam fugir do calor se deleitam em sua água aconchegante; o lugar é o preferido das crianças e jovens que populam o espaço mais prazeroso do sítio...
O ISVA (institutovaleria@ig.com.br) conta com a ajuda voluntária em qualquer uma dessas áreas de atuação ou outras quaisquer que você deseje desenvolver, pois a nossa maior força é a consciência de que só o apóio mútuo, e não o assistencialismo apregoado pelas igrejas e o Estado, fará a diferença na transformação do indivíduo, que deve buscar a sua inserção na coletividade da qual faz parte e de onde sairá o referendo para suas atividades cotidianas.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

MANEJO ECOLÓGICO DO SOLO










Antonio Fernandes Mendes/ISVA
Professor em Agricultura Sustentável

Ou a espécie humana aprende a manejar os desequilíbrios da natureza e suas desordens ou desaparecerá da mesma forma que desapareceram os grandes Sáurios. As plantas têm uma tecnologia que nenhuma espécie viva tem que é a criação da fotossíntese, obtida da energia solar. Por sua vez, a fotossíntese polariza dois elementos vitais à vida animal: o carboidrato e o oxigênio. As plantas são como reatores fabricantes de energia aos milhões, captando energia do sol, tendo como catalisador a clorofila.
Mas o processo não fica só com as plantas, é preciso um alimento vital, o gás carbônico, o mais raro gás da atmosfera e só os animais têm a capacidade de fornecer este precioso alimento às plantas. Assim se completa o ciclo vital entre plantas e animais. Desse modo, o catalisador da respiração animal é a hemoglobina. Sintetizando, a planta capta o gás carbônico e libera oxigênio. Os animais consomem o oxigênio e devolve às plantas o gás carbônico enriquecido. Eis porque um não pode viver sem o outro. É uma dependência condicional do universo: “os animais são órgãos externos das plantas e as plantas são órgãos externos dos animais, que por sua vez são órgãos de uma unidade universal espiralada”.
Aquele que desejar a reconstrução de uma agricultura assentada nas bases ecológicas terá que saber que uma planta e um animal que adoecem endemicamente são porque a doença não está diretamente na planta ou no animal e sim na vida do solo e seu meio ambiente.
A visão criminosa e a ignorância estúpida, com relação à vida das plantas, de seguimento “científico” e de idéias de crescimento econômico religioso e dogmático, de grupos políticos e de economistas alheios à realidade do manejo do solo, quando elas são violadas com erros graves, as leis físicas e sutis da natureza, respondem implacavelmente a esses erros com hecatombes terríveis. Vejam bem, as plantas suprimidas e mortas, ou diminuídas suas variedades, quebram o elo da polarização YIN e YANG, abrindo-se um abismo no equilíbrio regulador dessas energias.
Exemplo: quando um pêndulo YIN desequilibra-se acontece um inferno astral de chuvas diluvianas que inundam a terra levando a desastres fatais. Quando um pêndulo YANG pende, ocorre o contrário, o inferno astral de fogo se alastra na terra carbonizando tudo que se encontra no solo, tornando cinzas sinistras. Isto são leis físicas! Mas, o agente mais perigoso e perverso é o habitante urbano, que desligado totalmente da natureza, destrói impiedosamente os espaços tornando a vida azóica e insuportável.
Palestra proferida pelo autor no Centro de Estudos Vitalício da Bahia, localizado na Av. Sete de Setembro em frente ao Forte de São Pedro em 30/10/1987.
APÊNDICE

Há vinte anos escrevi este pequeno esboço para ser publicado. Fiz palestra no Centro Vitalício da Bahia e expus o texto e li para os ouvintes presentes naquele centro. Agora explodiu a crise econômica e social, gravíssima, escondida pela mídia do sistema por baixo do lixo e dos tapetes políticos esfarrapados que há longos anos, mentem ao povo (políticos globais). As sujeiras dos “tupiniquins” daqui, não merecem descrevê-las, já pertencem ao lixo da história.
Não é só a crise política e social que está em jogo, quem se encontra em gravíssima situação é a terra que os crápulas dilapidaram, extorquiram, massacraram toda a base de sustentação dos solos. Este é o lado cru da realidade, não bastou Katrina, Chernobyl, os vales da China, agora em Santa Catarina e tantos outros desastres pelo mundo afora. Aqui em Salvador, o crime acontece abertamente nas “barbas” do poder público. Centenas de fontes foram destruídas, as famosas fontes da Bahia o bicho comeu, as lagoas idem, os riachos e rios viraram latrinas, os belos aluviões de areias de formações seculares foram dilapidados, as enseadas soterradas, as bacias de águas cristalinas da Baía de Todos os Santos contaminadas (é uma vergonha para este número tão grande de santos, todos emporcalhados de sujeiras físicas, por quem deveria evitá-los).
Vejam a BR-324, a Av. Paralela e a Estrada do Coco até o vizinho Estado de Sergipe. Ao longo da Estrada do Coco suprimiram as belas matas da biodiversidade da Mata Atlântica e implantaram a monocultura de eucaliptos, acabando com as variedades polimorfas ali existentes. No município do Conde, implantaram o cultivo do coco “anão”, "melhorado geneticamente", acabando com os cocos nativos e as palmeiras de grande valia, lembro a essa gente que quando se mexe com uma folha, se mexe com o universo (da sabedoria grega e oriental).
O que afirmo da insensatez humana é uma realidade e, agora, com a crise econômica e social grave tornou-se evidente um arrastão social global.

sexta-feira, 8 de maio de 2009




O ISVA é um centro de estudos em várias áreas do conhecimento, priorizando a sociologia, a ecologia humana, a geografia dos espaços habitados e habitáveis, artes e ofícios e agricultura sustentável. Desenvolve projetos de hortas urbanas e escolares. Propõe uma escola viva, do pré-natal ao pré-mortal.
Coordena a Biblioteca Comunitária José Oiticica composta de livros infantis, escolares, literatura e científicos principalmente relacionados com educação, ecologia e agricultura sustentável.
O ISVA não é casa de residência, nem individual nem coletiva por falta de infra-estrutura física e de recursos. Conta com um amplo espaço florestal urbano, onde se podem armar barracas temporárias para participar de seminários, simpósios, palestras, oficinas em diversas áreas: fitoterapia, ciência que estuda as plantas e que cura as doenças da população, cursos de plantas medicinais, agroecologia e permacultura, oficinas eco-produtivas (bambu, instrumentos musicais), teatro, educomunicação, cooperativismo, rodas de leituras, vídeos, cordéis, cineclube, feiras de livros e de economia solidária.
O ISVA promove a idéia da autogestão social e por princípios pedagógicos libertários. A educação libertária desenvolvida seja para crianças e até para os adultos, tem como proposta a não-diretividade, a participação e a troca de conhecientos. Cursos de Agroecologia e Permacultura para um nível mais avançado é realizado no período de maio a novembro, 3 horas por semana, total de 84 horas.

Estamos localizados em uma área que não possui saneamento básico do poder público, tendo que construir estratégias de proteger o meio ambiente local, construindo fossas. Além disso, a nossa rua não possui asfalto, o que a torna mais agradável para o convívio entre os vizinhos, quase todos têm quintais e plantas de diversos tipos.

Venha participar do ISVA, como sócio ou colaborador.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Bairro da Palestina: aqui também é Salvador

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O Bairro da Palestina localiza-se no lado direito da BR-324 no sentido Salvador-Feira e faz divisa com o município de Simões Filho. Como muitos bairros da cidade esquecidos pelo poder público, o bairro da Palestina, vizinho ao Bairro de Águas Claras e de Valéria, vem sofrendo as agressões de empresas que retiram pedras em seus arredores, poluindo rios, provocando desmatamentos e rachando as casas com as explosões. Esse vídeo é uma denúncia contra essas ações inconsequentes das empresas e ao descaso governamental. O vídeo foi feito por um morador do próprio bairro, indignado com os problemas causados pela chuva de 2008.